pesca farol

Os pescadores mais antigos do Farol de Santa Marta, cujos nomes permanecem vivos e até cultuados na memória da comunidade, foram: Jerônimo, ainda vivo e em avançada idade, residindo atualmente na passagem da Barra, Luiz Camila, natural da passagem da Barra, e tido por muitos como o substituto de Eliziário Patrício no comando das atividades pesqueiras no Farol; Antônio Felisberto, que trabalhava com Luiz Camila; Sebastião Peixoto, neto de EliziárioPatrício; Zezé, natural de Campos Verdes (Carniça), “ um velho que pescava com o compadre Sebastião”, segundo Dona Fausta Andrade, e que chegou no Farol de Santa Marta com oito anos de idade; Manoel Zezé, filho Zezé, considerado um dos maiores pescadores que o Farol já teve e conhecido em toda região, sendo considerado o Pai da pobreza; Arno, também era da passagem da Barra, do tempo de Luiz Camila e Antônio Felisberto; Frederico, da passagem da Barra, foi casado com a primeira rendeira do Farol, Dona Eponina.

A comunidade do Farol de Santa Marta possui características peculiares, que a diferenciam dos demais vilarejos de pesca existentes no litoral Catarinense. A constatação foi feita em 1965 por técnicos e pesquisadores de organismo oficias da pesca, que percorreram 24 colônias pesqueiras da costa do estado. Com base em 356 minuciosos questionários aplicados nas diversas localidades, foi preparado um relatório transformado em livro no ano seguinte.

O Farol de Santa Marta foi incluído nas comunidades de nível “b” (escala de “a” a “d”), junto com Barra de Camboriú, Barra Velha, Enseada (São Francisco do Sul) e Barra do Sul. Verificou-se que “nelas ocorre rápida insatisfação comercial, mas as mudanças não se verificam quanto as formas de aproveitamento. No setor captura registram-se alterações superficiais, como o aumento do número de pequenas embarcações motorizadas. Com a exceção da comunidade de Santa Marta, a influência do turismo, sem ser uma característica própria dessas comunidades, responde, em parte, dinamização comercial, e também pelas melhorias das condições dos pescadores. “Evasão humana moderada”.

A maior parte dos pescadores das 24 comunidades pesquisadas havia exercido atividades na lavoura anteriormente, a lavoura e a pesca. “O único exemplo de comunidade que não apresenta traços de paralelismos entre a pesca e a agricultura, na atualidade, e anteriormente tal nos parecia impossível, é a do Farol de Santa Marta, onde não há, praticamente, solo agriculturável”.

Em relação ao rendimento anual por parte dos pescadores, o Farol também se sobressai. “Nas comunidades do continente, as rendas mais baixas foram mais frequentes em Pinheira e Garopaba. Nas comunidades do Litoral Norte, as rendas mais baixas foram mais frequentes em Porto Belo, enquanto que as comunidades do Litoral Sul se apresentam mais uniformes, concentrando, porém, grande número de rendas elevadas na comunidade do Farol de Santa Marta”.

A repórter Marina Wodtke contou 18 parelhas em atividade no Farol de Santa Marta, em 1981. “As 18 parelhas – escreveu na revista Geografia Universal – levam entre cinco e sete pescadores que podem trazer, em tempos ruins, dois peixes, ou em época de safra, mais de duas toneladas. Para eles, os tempos já foram melhores. De mais fartura.”

Os números de pesca no Farol são poucos, mas reveladores da importância da atividade ali exercida. Em 1995, por exemplo, foram capturados 47.744 quilos de peixes ósseos e 1.966 de camarões, num total de 49.710 quilos, somente no Farol de Santa Marta. Em todo município de Laguna (incluído o Farol), o total entre peixes e camarões foi de 55,990 quilos. Ou seja, aproximadamente 86% da produção pesqueira do município de Laguna foi do Farol de Santa Marta.

A pesca artesanal ao longo dos 561,3 km da costa Catarinense é praticada em 150 comunidades, por cerca de 150 mil pescadores. Ao todo existem cerca de 7 mil barcos, baleeiras, botes, bateiras e canoas.

No Farol de Santa Marta existiam até Setembro de 1997 oito lanchas, de oito propriedades diferentes. Cada embarcação, com capacidade para cinco toneladas, envolve 6 proeiros, o que soma o total de 48 deles.

Também existem 10 botes, cada um com seu proprietário. Nos botes, com capacidade para até 2,5 toneladas, atuam 4 proeiros em cada.

No total, somando os proprietários e proeiros (ou camaradas), atuam diretamente na pesca do Farol de Santa Marta o total de 106 pessoas. Ainda é a atividade principal, que gera mais riqueza e emprega a maior quantidade de mão-de-obra. O comercio e o aluguel de casas na temporada são atividades que crescem a cada ano, mas permanecem como complementos da renda obtida na atividade principal.

Fonte: MARTINS, Celso. Farol de Santa Marta – A Esquina do Atlântico. Editora Garapuvu, 1997.

 

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